Simulação da ONU na Câmara transforma plenário em sala de cidadania e debate global
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01 de abril de 2026
A Câmara Municipal de Franca abriu as portas para um exercício de cidadania e aprendizado. O plenário da Casa de Leis foi palco de uma simulação da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada por alunos do Colégio Mundo do Saber, através da iniciativa dos vereador Marcelo Tidy (MDB) que falou com os alunos e ainda contou com as presenças dos vereadores Daniel Bassi (PSD) e do presidente do Legislativo, Fransérgio Garcia (PL).
“A gente já vem fazendo esse projeto há três anos e aí todo ano a gente tenta trazer um tema que articule muito essa questão da geopolítica. Eu como professora de História, Sociologia e Filosofia, a gente sempre trabalha esses temas e também pensando na preparação dos nossos alunos para o vestibular para que eles criem uma consciência crítica, debatam esses assuntos importantes e que estão sempre em alta e para a construção de argumentos, pensando ali numa redação, numa questão que vai articular esses temas de forma pedagógica”, explicou Rafaela Palombo.
Com o tema "Cidadania, Geopolítica e Relações Internacionais", o encontro trouxe para o debate a situação dos refugiados pelo mundo. Matheus Tokairin, coordenador pedagógico.
“O Colégio Mundo do Saber aposta em temas que tendem a ser cobrados nas principais provas, mas também não esquece do que está acontecendo no mundo e o que está em destaque como preocupação global. Esse tema em específico foi discutido com o corpo pedagógico e principalmente com os estudantes”, lembrou o coordenador pedagógico, Matheus Tokairin.
Durante a simulação, os estudantes representaram países como Estados Unidos, França, China e Brasil e tiveram que se posicionar sobre a criação de cotas para refugiados. Cada delegação defendeu seus interesses com base no cenário político e econômico das nações representadas.
“A parte mais difícil dessa simulação é defender o ponto de vista dos Estados Unidos, que é a maior potência econômica atualmente. Então, é como se todos os outros pontos de vista dos países sempre se voltassem para os Estados Unidos de alguma forma”, disse Maria Luiza, estudante que representou os Estados Unidos.
“Muita pesquisa sobre a perspectiva do Brasil acerca do tema da imigração... Nosso país é meio que um apaziguador da situação, que a gente apoia os imigrantes e a gente traz uma solução que responsabiliza todos de forma igualitária. A gente pesquisou em entrevistas, inclusive em debates da ONU, que teve inclusive no ano passado, e foi assim essa preparação”, contou Manuela Cintra Pinto, estudante que representou o Brasil.
A estudante Clara Maria Marques, que representou a China, falou como foi a experiência. “Acho muito importante a escola fazer um evento como esse, porque é bom para a gente aprender a falar em público, mas também para a gente conhecer um pouco fora de Franca, fora do Brasil e conhecer outros países”.
Ao final do debate, a proposta defendida pela delegação da França foi a que conquistou a maioria dos votos. “A nossa proposta foi a criação da lei de cotas com base no índice, que levava em conta as taxas de vagas de emprego, o PIB, que é o PIB per capita, a densidade demográfica e a gente era a favor da criação de um fundo financeiro global e responsabilidade compartilhada”, explicou Nathália Cristhiambel, estudante representante da França.
Para os donos da escola, a experiência vai além da teoria e incentiva o pensamento crítico e a formação cidadã dos alunos. “Eu adotei uma fala recentemente, que lá no colégio, principalmente eu e a Larissa, que somos os diretores, nós percebemos que nós não temos um trabalho na vida, nós temos uma missão na vida, que é justamente encaminhar todos os alunos, desde o berçário até esses agora que estão próximos da conclusão, a serem grandes adultos do futuro, já buscarem suas profissões e exercer da melhor forma possível, quer sejam advogados, engenheiros, médicos, políticos, representantes do povo”, disse Regnon Molina, diretor do Colégio Mundo do Saber.
“É um momento muito rico para os nossos alunos, porque a escola tem uma visão onde o aluno tem que vivenciar. Então hoje é que eles estão tendo a oportunidade de argumentar, falar o que eles pensam sobre o mundo. Nosso ensino médio está preparando os alunos justamente para o mercado de trabalho. Então a gente acredita que tudo que é vivenciado, tem mais valor, mais significado. Vê-los aqui com tanto poder de argumentação, uma oratória maravilhosa, cada um defendendo o seu ponto de vista, é, assim, grandioso”, ressaltou Larissa Castaldi, diretora do Colégio Mundo do Saber
Para os professores, a simulação é uma ferramenta importante de aprendizado que estimula o pensamento crítico e aproxima os alunos de debates atuais que vão além da sala de aula.
“É muito interessante defender a Organização das Nações Unidas em relação aos refugiados, proteger... Indivíduos que, por perseguição religiosa ou qualquer outro tipo de perseguição, são obrigados a sair dos seus países de origem. Nós que vivemos num país de origem sabemos como é gostoso a gente viver na nossa casa. Então eu acho muito legal isso, para que eles possam entender como é a vida de um refugiado”, destacou José Eduardo Diotto, professor de Biologia.
Juliana Trevisar, professora de Linguagens, também destacou a importância do contato dos alunos com o Legislativo. “Aqui hoje, por exemplo, na Câmara dos Deputados, foi interessante para que eles entendessem como funciona um pouco cada poder, o que o legislativo faz, como que o executivo lida também. Então, assim, eles terem essa bagagem para que eles consigam viver a cidadania”.
A iniciativa também envolveu toda a comunidade escolar. Além dos alunos do ensino médio, estudantes do nono ano também acompanharam de perto os debates, ampliando o contato com temas globais e incentivando o interesse desde cedo.
“Para os alunos não chegarem lá no ensino médio e já serem surpreendidos com a rotina que muda, para eles já começarem a habituar um pouquinho... Então, nada mais justo do que eles virem e ver como é que os alunos do ensino médio já estão conduzindo um projeto como esse”, explicou Regnon Molina
“É um começo para o futuro saber como falar, ter essa bagagem mesmo, no começo da escola, para lá na frente, na hora de liderar uma empresa ou até mesmo representar algum país lá dentro da ONU. Isso é muito importante que já tenha uma experiência dentro da escola lá na frente, serve como exemplo para a gente”, disse a estudante Sthéfany Cintra.
E o trabalho não ficou só no debate. Nos bastidores, outros alunos ajudaram na organização. Como conselheiros de liderança, os alunos Murilo e Milena se comprometeram até mesmo com a limpeza após a simulação.
“A gente fica muito feliz, alegre, de poder estar ajudando, mesmo não estando... lá na frente, como participantes, a gente conseguir estar ajudando ao desenrolar do evento”, disse o estudante Murilo Antônio Freitas.
“A gente sempre aprende muito, acho que isso é uma das principais coisas. Só que a gente também, ensina muito. Eu acho que ter as iniciativas de, às vezes, como a gente fez, de pegar uma vassoura e começar a varrer, eu acho que é muito bom para ensinar as pessoas de que elas mesmo não exercendo a mesma função, elas também podem fazer e ajudar”, completou a estudante Milena Montalbini.
Para o vereador Marcelo Tidy, abrir o espaço do Legislativo para iniciativas como essa é uma forma de aproximar os jovens da política e incentivar a participação cidadã.
“Primeiro, quero cumprimentar a diretoria da escola Mundo do Saber, COC Mundo do Saber e o professor, a Milena e o Murilo, que são esses jovens que estão comprometidos com o futuro não só do nosso município, mas pensando de forma global, porque a escola Mundo do Saber está lá no berço onde eu cresci e a gente vê um lugar que eu tenho um carinho tão especial no meu coração, trazendo uma discussão para a Câmara Municipal... Eu fico muito emocionado e feliz de ver a casa cheia e até falei lá na tribuna, de levar o trabalho que desenvolveram aqui para a ONU ter conhecimento de que jovens brasileiros francanos estão pensando num mundo melhor”, disse o vereador
Mais do que um exercício acadêmico, a simulação deixou na prática uma lição sobre diálogo, responsabilidade e construção coletiva, valores essenciais dentro e fora do plenário.
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