Câmara aprova projetos sobre atendimento odontológico, Atividade Delegada e regularização de condomínio

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26 de maio de 2026

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A Câmara Municipal de Franca aprovou três projetos, quatro requerimentos, cinco moções e um requerimento de urgência durante a Ordem do Dia da 17ª Sessão Ordinária de 2026, realizada nesta terça-feira, 26 de maio, às 14h. 

Entre os itens votados estão propostas sobre atendimento odontológico a mulheres vítimas de violência doméstica, execução da Atividade Delegada, regularização do condomínio Ipês Garden Residencial, além de moções de aplausos, apoio e repúdio. A Moção de Apoio nº 3/2026 foi rejeitada por 10 votos a 2.

Atendimento odontológico humanizado a mulheres vítimas de violência doméstica

Projeto de Lei Ordinária nº 61/2026, de autoria da vereadora Andréa Silva (Republicanos), institui diretrizes para a promoção do atendimento odontológico humanizado a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em Franca. 

A proposta busca orientar ações de acolhimento a vítimas que sofreram agressões com impactos na região facial e bucal, com incentivo à recuperação odontológica, ao atendimento prioritário e à integração com a rede de proteção.

Antes da votação do texto principal, os vereadores analisaram a Emenda nº 17/2026, que suprimiu do artigo 1º a expressão “no âmbito da rede pública municipal de saúde”. Com a alteração, o texto passou a instituir as diretrizes “no âmbito do Município de Franca”. A emenda foi aprovada com 12 votos favoráveis.

Durante a discussão, Gilson Pelizaro (PT) parabenizou a autora da proposta, e mencionou uma portaria do Ministério da Saúde, de nº 10.300/2026, relacionada à adequação de um programa nacional de saúde bucal para mulheres vítimas de violência doméstica, no âmbito do programa Brasil Sorridente. Segundo ele, a medida prevê atendimento no sistema público de odontologia para esses casos. Em seguida, o projeto foi aprovado por unanimidade. 

Na justificativa de voto, Andréa Silva afirmou que a proposta foi motivada pelos casos de violência doméstica em que, segundo ela, grande parte das vítimas sofre agressões do pescoço para cima. A vereadora disse que a intenção é “que a gente possa atender mais mulheres, este projeto ficar ativo e conseguir dar mais essa ajuda a essas mulheres”.


Crédito suplementar para execução da Atividade Delegada

Também foi aprovado o Projeto de Lei Ordinária nº 66/2026, encaminhado pelo prefeito Alexandre Augusto Ferreira. A proposta autoriza a abertura de crédito adicional suplementar de R$ 214 mil no orçamento municipal de 2026 para a execução integral da Atividade Delegada, convênio firmado entre a Prefeitura de Franca e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

A medida busca reforçar o custeio da atuação de policiais militares em horários de folga, em apoio a ações de fiscalização urbana e administrativa do município. 

Entre as atividades previstas estão fiscalizações relacionadas a normas sanitárias, ambientais, urbanísticas, de posturas municipais e de funcionamento de estabelecimentos comerciais, incluindo atividades ambulantes. O texto também revoga trecho da Lei Municipal nº 9.418/2023, que disciplina a Atividade Delegada em Franca.


Daniel Bassi (PSD) afirmou que o valor previsto não representa acréscimo novo, mas recurso não utilizado no ano anterior e direcionado para o orçamento deste ano. Ele também comentou ajustes relacionados à categoria da remuneração, que, segundo ele, tornaram a Atividade Delegada mais compensatória.

Bassi parabenizou o prefeito Alexandre Ferreira pela proposta e sugeriu a ampliação da medida. “Eu acredito que ele precisa, além de ampliar a atividade delegada, inserir nesta atividade delegada o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil, e aumentar o efetivo da GCM, que é algo que nós estamos pedindo há tempos”, afirmou.

Gilson Pelizaro também se manifestou sobre o projeto. Ele avaliou que o orçamento destinado à Secretaria Municipal de Segurança é tímido e reforçou a importância da Atividade Delegada. 

Ao comparar o valor previsto com o orçamento anual do município, afirmou: “Em um orçamento de R$1,6 bilhão, você vai gastar em 2026 com atividade delegada, R$214 mil. É extremamente pouco”. 

O vereador defendeu que a mudança seja feita da melhor forma possível e que os policiais que optarem pela Atividade Delegada sejam justamente remunerados. Na sequência, voltou a defender a ampliação do contingente da Guarda Civil Municipal, afirmando que, além de não ter havido aumento no efetivo, alguns oficiais se aposentaram sem reposição das vagas.

“São 60, se não me engano, não chega a 70 guardas civis na cidade de Franca. Se você comparar com outros municípios do porte da cidade de Franca, você vai ver que Franca não tem Guarda Civil. São muito poucos”, afirmou.

Fransérgio Garcia (PL) também comentou a discussão. Ele relembrou que ele e Walker Bombeiro da Libras (PL) averiguaram a situação recentemente, motivados por demandas dos oficiais. 

O presidente da Câmara esclareceu que, diferente do que se acreditava na época, os descontos não são feitos pela Prefeitura. “A Receita Federal desconta todas as receitas do trabalhador contribuinte, independente se ela seja remuneratória ou indenizatória. É receita”, afirmou.

Ao final, Fransérgio avaliou que, para compensar a adesão dos profissionais à Atividade Delegada, seria interessante aumentar o valor pago, considerando os descontos incidentes. O projeto foi aprovado com 13 votos favoráveis.



Regularização do empreendimento Ipês Garden Residencial

Sem discussão em plenário, o Projeto de Lei Complementar nº 10/2026, encaminhado pelo prefeito Alexandre Augusto Ferreira, foi aprovado com 12 votos favoráveis.

A proposta trata da regularização do empreendimento Ipês Garden Residencial, localizado no Jardim Regina Helena. O texto estabelece parâmetros urbanísticos específicos para permitir a aprovação da obra, com regras diferenciadas para o condomínio, como taxa de ocupação de 100%, recuos específicos e dispensa de algumas exigências, considerando que a edificação já está consolidada.

A regularização está condicionada à apresentação de documentos técnicos, como projeto arquitetônico, Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), Estudo de Impacto de Vizinhança e Termo de Ajustamento de Conduta, além do pagamento de multa e da Outorga Onerosa do Direito de Construir.

Segundo os anexos do projeto, foram identificadas irregularidades como execução da obra sem projeto aprovado, alterações em desacordo com a legislação e ocupação de unidades sem Habite-se. Os valores de multa, de R$ 88.508,00, e de outorga, de R$ 81.266,94, já foram pagos pela empresa responsável e destinados ao Fundo Municipal de Habitação.



Moção de repúdio a exposição no MASP gera discussão em plenário

Os vereadores também aprovaram o Requerimento de Urgência nº 27/2026, referente à Moção de Repúdio nº 5/2026, de autoria do vereador Leandro O Patriota (PL). A moção é dirigida à exposição “La Chola Poblete: pop andino”, realizada no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em razão da utilização de símbolos ligados à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em contextos considerados ofensivos por fiéis.

Durante a discussão do requerimento de urgência, Leandro O Patriota comentou o caso e afirmou que a manifestação artística utilizava imagens religiosas de forma pejorativa. Ele solicitou a exibição de um vídeo mostrando voluntários da igreja prestando apoio a vítimas de enchentes em cidades do Rio de Janeiro, como forma de demonstrar o caráter humanitário dos religiosos.

Ao relembrar sua trajetória como membro da igreja, o vereador afirmou: “Eu fui resgatado por esta igreja. E você ver uma exposição de arte dessa é um desserviço. Como membro desta igreja, eu tenho um respeito muito grande por todas as religiões, por todas as pessoas”.

Na sequência, Leandro explicou a representação de um jovem e de um livro sagrado em uma das pinturas da artista. Ele também mencionou sua experiência pessoal com a igreja, afirmando que a instituição ajudou sua esposa a realizar a faculdade.



Walker Bombeiro da Libras manifestou apoio ao colega. Ele comentou situações em que a igreja, segundo relatou, apoiou ações humanitárias das quais participou. “Eu me solidarizo com tudo isso que aconteceu, e eu também achei um tremendo desrespeito. A gente vive hoje em um mundo que tem invertido muito os valores”, afirmou.

Walker também afirmou que não é necessário ofender crenças para se expressar artisticamente.

Marília Martins (PSOL) verbalizou apoio ao colega e à igreja. No entanto, questionou se a moção justificava o pedido de urgência. A vereadora afirmou que acessou o site do MASP e leu a justificativa da exposição. 

De acordo com o texto citado por ela, a proposta reúne obras que questionam estereótipos sobre corpos indígenas, racializados, trans e LGBTQIA+, articulando referências da cultura andina, da história argentina, da herança cristã e da resistência à colonização.

Em seguida, Marília relacionou a discussão a um monumento instalado em Franca, que, segundo ela, retrata um processo colonial e violento de evangelização. Sobre esse ponto, afirmou: “Quando um artista pega essas dores históricas, e como são tratadas hoje, para representar nas suas artes, elas fazem peças que normalmente chocam”.



A vereadora também reforçou o caráter interpretativo das manifestações artísticas. “As associações que se faz disso são múltiplas, e está tudo bem, está tudo certo. A arte é para isso: é para a gente mostrar as nossas contradições, é para levantar questões de reflexão”, afirmou.

Em justificativa de voto, Gilson Pelizaro manifestou apoio a Leandro O Patriota e à igreja, mas afirmou que não percebeu justificativa para o pedido de urgência.

O requerimento de urgência foi aprovado por 10 votos favoráveis e 2 contrários. A Moção de Repúdio nº 5/2026 também foi aprovada por 10 votos a 2.

Requerimentos aprovados tratam de assistência social, saúde, trânsito e obras antienchentes

Durante a Ordem do Dia, os vereadores aprovaram quatro requerimentos.

De autoria de Leandro O Patriota, o Requerimento nº 394/2026 solicita informações da Prefeitura sobre os recursos gastos com a Assistência Social em Franca. O parlamentar busca detalhes sobre a aplicação de verbas e investimentos realizados na área. Também apresentado por Leandro O Patriota, o Requerimento nº 398/2026 questiona a ausência de médicos da família na UBS do Aeroporto 3. O documento pede esclarecimentos sobre a situação da unidade e informações sobre medidas adotadas para regularizar o atendimento à população.

Gilson Pelizaro assina o Requerimento nº 402/2026, que pede dados e estatísticas relacionadas à violência no trânsito em Franca. O objetivo é obter informações sobre acidentes, ocorrências e indicadores envolvendo segurança viária no município.

Outro documento de autoria de Gilson, o Requerimento nº 403/2026 solicita informações sobre as obras antienchentes previstas para os córregos dos Bagres, Cubatão e Engenho Queimado. O vereador pede detalhes sobre cronograma, investimentos e planejamento das intervenções voltadas à prevenção de alagamentos.



Moções de aplausos reconhecem trajetórias e instituições

Entre as moções aprovadas, a Moção de Aplausos nº 84/2026, de autoria de Marília Martins, homenageia o Dr. Paulo Borges, além de estudantes, docentes, servidores e representantes do Centro Acadêmico de Direito da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de Franca. A parlamentar destacou a atuação em defesa da excelência do ensino jurídico público.

Moção de Aplausos nº 85/2026, de autoria de Leandro O Patriota, presta reconhecimento a Higor Andrade pela trajetória pessoal e profissional e por representar o município de Franca no concurso Mister São Paulo Universo.

Também foi aprovada a Moção de Aplausos nº 86/2026, assinada pelos vereadores Kaká (PSD) e Marcelo Tidy (MDB). O documento homenageia José Morales Gonçalves pelos exemplos de fé, dedicação cristã e testemunho de vida.

Moção de apoio a greve de estudantes universitários é rejeitada

A Moção de Apoio nº 3/2026, apresentada por Marília Martins, manifesta apoio aos estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em razão das mobilizações estudantis e da greve em defesa da educação pública, gratuita, democrática e de qualidade.

A sessão contou com a presença de alunos da instituição. Uma representante do grupo falou na tribuna, explicou a greve e reforçou a importância da faculdade no município de Franca, tanto pela inserção de profissionais qualificados no mercado quanto pelo seu papel social.



Ela também tratou dos valores repassados à universidade e afirmou que o repasse atual é insuficiente para a manutenção das atividades, especialmente diante da possibilidade de expansão.

A moção gerou discussão entre os parlamentares sobre a legitimidade das manifestações de estudantes em unidades da Unesp. Durante o debate, foram mencionados exemplos de uso de violência por parte de alguns manifestantes.  Por outro lado, também foi comentada a abordagem considerada truculenta da Polícia Militar em alguns casos. Em votação, a Moção de Apoio nº 3/2026 foi rejeitada por 10 votos a 2.

Moção de repúdio trata de declarações sobre pessoas com deficiência

A Câmara também aprovou a Moção de Repúdio nº 4/2026, apresentada por Fransérgio Garcia. O documento é direcionado ao secretário de Esportes de São Caetano do Sul, Mauro Antonio Chekin, em razão de declarações feitas durante audiência pública relacionada à inclusão de pessoas com deficiência, realizada em abril deste ano.

A próxima sessão ordinária está prevista para terça-feira, dia 02 de Junho, com Expediente às 9h e Ordem do Dia às 14h.

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