Janeiro é tradicionalmente o mês de novos desafios, metas e recomeços. Dentro dessa perspectiva, surgiu a campanha Janeiro Branco, um movimento nacional que convida a sociedade a refletir sobre a importância dos cuidados com a saúde mental e emocional.
O objetivo da campanha é estimular o diálogo e combater o preconceito relacionado aos transtornos emocionais, como ansiedade, estresse, depressão e esgotamento emocional — questões que afetam pessoas em diferentes fases da vida e que, muitas vezes, podem ser prevenidas com cuidados no dia a dia.
A psicóloga clínica Natália Santos destaca que o conceito de saúde mental está diretamente ligado ao bem-estar cognitivo e emocional, permitindo que o indivíduo enfrente os desafios cotidianos de maneira mais saudável.

“Quando estamos com a saúde mental em equilíbrio, conseguimos usar os nossos recursos e desenvolver estratégias de enfrentamento de uma maneira mais saudável e fluida”, destacou a psicóloga.
No esporte, o tema também merece atenção. Em meio a ginásios e estádios lotados, atletas convivem com a pressão por resultados e cobranças constantes. Segundo o psicólogo esportivo Rodrigo Salomão, a saúde mental ainda é um tabu no meio esportivo, onde atletas são frequentemente vistos como heróis.

O acompanhamento psicológico, segundo ele, é fundamental para que esses profissionais consigam lidar melhor com frustrações e expectativas. “Nós entendemos muito os atletas como heróis que não podem demonstrar nenhum tipo de fraqueza e, aí, começa o tabu dentro da saúde mental. Estamos trabalhando muito para que essas questões fiquem naturalizadas”, ressaltou.
No ambiente de trabalho, a pressão por metas, desempenho e a insegurança em relação ao emprego podem desencadear problemas emocionais. A psicóloga organizacional Patrícia Borges explica que o burnout, considerado uma doença ocupacional, tem sido cada vez mais comum e reforça a importância de tratar o tema com naturalidade dentro das empresas e instituições.

“Eu vivencio muito isso. Às vezes, colaboradores têm receio de mencionar que não estão bem, e isso acaba sendo quebrado quando a gente trabalha com naturalidade, com uma liderança humanizada.”
Já no contexto escolar, crianças e adolescentes podem enfrentar dificuldades emocionais causadas pelo bullying e, mais recentemente, pelo cyberbullying. O psicólogo escolar Fabrício Júnior ressalta a necessidade de um olhar atento para a saúde mental dos jovens, evitando que situações de sofrimento evoluam para doenças psíquicas.

“Podemos citar o uso excessivo das redes sociais como uma das causas de doenças psíquicas. Esse tema foi debatido em 2024 e teve a lei para retirar os dispositivos móveis, para que possamos afastar a tecnologia de ambientes que são de socialização. O bullying e o cyberbullying também são fatores de risco. Então, é necessário que a escola tenha um projeto de convivência para cuidar desses assuntos”, ponderou.
A Câmara Municipal de Franca demonstra preocupação com a saúde mental por meio de projetos, leis e políticas públicas que incentivam o cuidado com a mente. Entre as ações, estão investimentos direcionados a instituições que cuidam da saúde mental e física da população, como a APAE e o Centro de Voluntários da Saúde. O Legislativo também reconhece iniciativas que valorizam a vida, como o programa “Sua Vida Vale Ouro”, homenageado em setembro do ano passado.
Para quem precisa de apoio psicológico, o município de Franca oferece atendimento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
A população também pode contar com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional por meio do telefone 188, com atendimento gratuito 24 horas por dia.
A voluntária Eliane Soares explica que o trabalho do CVV é oferecer escuta e acolhimento, permitindo que a pessoa se expresse livremente e fale sobre suas dores e angústias.
“Quando uma pessoa precisa conversar e desabafar e, muitas vezes, está angustiada, desesperada e não tem com quem conversar, ela pode entrar em contato com o CVV pelo número 188, que funciona 24 horas. Temos também atendimento por e-mail e chat. A pessoa tem o sigilo resguardado, não precisa se identificar e pode ser ela mesma, sem medo de julgamentos ou críticas, falando sobre todas as dores que está sentindo”, esclareceu.