Fisioterapeuta debate impactos da fibromialgia e propõe Centro de Referência em Franca

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12 de maio de 2026

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A fisioterapeuta, mestre em saúde pública e pesquisadora Flavia Calixto utilizou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Franca, nesta terça-feira, 12 de maio, durante a 15ª Sessão Ordinária de 2026, para falar sobre fibromialgia. A exposição abordou características da síndrome, impactos funcionais, custos ao sistema de saúde e a necessidade de estruturação de uma linha municipal de cuidado.

Flavia afirmou que participa do debate também a partir da própria experiência, por ter diagnóstico de fibromialgia há 18 anos. “Eu estou aqui como profissional, como pesquisadora, como uma estudiosa e, também, como fibromiálgica, para trazer hoje essa possibilidade de que Franca possa ser pioneira dentro do olhar atento a este grupo de pacientes invisibilizados”.

Segundo ela, a fibromialgia é uma síndrome de dor crônica primária, “ou seja, uma dor que não necessita de lesão tecidual. A dor existe. A dor está. Infelizmente, é invisível”. Flavia explicou que a condição não é inflamatória e que, embora não apareça em exames tradicionais, possui impacto funcional alto, real e comprovado cientificamente.

A fala ocorreu no Dia Mundial de Conscientização da Fibromialgia. Durante a apresentação, Flavia citou a cantora Lady Gaga, diagnosticada com a síndrome, como uma representante pública da causa.

Na sequência, a fisioterapeuta explicou que houve uma mudança de compreensão sobre a fibromialgia, uma doença invisibilizada segundo ela. Antes, o foco estava relacionado a danos teciduais, inflamações locais e lesões físicas visíveis. Hoje, a fibromialgia é entendida como uma condição em que o sistema nervoso fica mais sensível e faz a pessoa sentir dor com mais intensidade.

Flavia também apresentou aspectos fisiopatológicos e manifestações clínicas da síndrome, como:
- disfunções do sistema nervoso central, 
- alterações nos neurotransmissores, 
- percepção dolorosa,
- dor difusa persistente,
- fadiga extrema, 
- e distúrbios do sono.

Ao tratar da fadiga, destacou os impactos na rotina dos pacientes: “não é uma fadiga que descansa e melhora. É um paciente que tem uma fadiga exaustiva, que não consegue executar funções básicas como, por exemplo, pentear o cabelo, secar o cabelo, passar uma maquiagem, levantar da cama, fazer uma alimentação, conseguir cuidar de um filho”.

De acordo com Flavia, estudos indicam que a fibromialgia acomete entre 2% e 5% da população, com predominância em mulheres. Ela observou, porém, que também há subdiagnóstico entre homens.


A pesquisadora apontou problemas relacionados ao atendimento de pacientes com fibromialgia, como a inexistência de uma linha de cuidado municipal estruturada, baixa padronização clínica, uso repetitivo e desnecessário do SUS, realização de exames repetidos ou desnecessários e alta demanda por pronto atendimento.

Além dos custos diretos com consultas, exames e medicamentos, Flavia mencionou impactos indiretos e “invisíveis”, como abandono de carreira, demissões, redução da produtividade, afastamentos constantes, aposentadoria por invalidez, perda de autonomia, agravamento clínico e isolamento.

Durante a Tribuna Livre, ela também comentou a Lei 15.176/2025, sancionada em 23 de julho de 2025 e em vigor desde janeiro de 2026. A legislação equipara a fibromialgia à deficiência, garantindo acesso a políticas públicas específicas, como cotas em concursos e isenção de IPI na compra de veículos.

Com base nesse marco legal, Flavia sugeriu medidas para Franca. Entre elas, a organização do cuidado, a otimização do tratamento, a redução de desperdícios e a possibilidade de um Centro de Referência. 

Segundo estimativa apresentada por ela, o tratamento anual de cada paciente pode chegar a cerca de R$ 15 mil. Em um cenário intermediário para Franca, esse custo alcançaria aproximadamente R$ 216 milhões por ano. A pesquisadora afirmou que a estruturação do atendimento poderia gerar redução de despesas de 30%, com economia estimada entre R$ 44 milhões e R$ 70 milhões anuais.

Ao final, Flavia defendeu que o município considere estratégias para estimular a produtividade e a autonomia dos pacientes, além de organizar protocolos de atendimento para melhorar o acompanhamento da população diagnosticada com fibromialgia.

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