Franca conta com uma iniciativa voltada ao desenvolvimento de ideias inovadoras e à transformação de projetos em negócios estruturados. A Impera, incubadora de startups do município, é vinculada à Prefeitura de Franca e gerida pelo Uni-FACEF, com apoio de instituições parceiras do ecossistema de inovação.
A proposta é oferecer capacitação, mentorias e acompanhamento técnico para empreendedores que desejam desenvolver soluções de base tecnológica. A equipe da TV Câmara acompanhou recentemente uma etapa da banca avaliadora da incubadora, em que projetos foram apresentados para análise de representantes de diferentes instituições.

Segundo o vice-reitor do Uni-FACEF, João Comparini, a Impera foi criada para ajudar pessoas com boas ideias a organizarem seus projetos e transformá-los em negócios viáveis.
“A Impera é uma incubadora de base tecnológica da Prefeitura de Franca e gerida aqui pelo Uni-FACEF, num convênio que nós fizemos com a prefeitura. A Impera como incubadora, propicia as pessoas em geral transformar uma ideia em um negócio", explica João.

Antes de submeterem os projetos à banca, os candidatos passam por um curso gratuito de modelagem de negócios oferecido pelo SEBRAE. A capacitação ajuda os participantes a organizarem melhor suas propostas, identificarem o público-alvo, avaliarem custos e estruturarem a solução que pretendem apresentar.
O gerente do SEBRAE Franca, Jorge Felipe Gonçalves Zanetti, explicou que a parceria tem como objetivo qualificar os empreendedores antes da entrada no programa de incubação.
“O curso tem como grande intuito fazer a pessoa que vai submeter o seu projeto a enxergar o seu negócio de uma maneira mais ampla, tendo muito bem claro o que e qual solução que ele vai oferecer para a sociedade, quem são as pessoas que utilizarão essa solução, quais os recursos, principalmente financeiros, tanto para quanto que vai ganhar e quanto que vai custar para se manter e um outro ponto também é o como”, afirma Jorge.

Durante a etapa acompanhada pela reportagem, os empreendedores apresentaram suas ideias à banca avaliadora. Cada proposta passou por análise técnica, com perguntas voltadas à compreensão do projeto, do potencial de inovação e das condições de desenvolvimento dentro da incubadora.
Fúlvia Nassif Jorge Facury, representante do projeto, destacou que a Impera não espera receber apenas projetos completamente prontos. Segundo ela, o papel da incubadora é justamente contribuir para o amadurecimento das ideias e orientar os empreendedores ao longo do processo.
"A gente não espera projetos tão prontos, porque é a nossa função ajudar nessa criação de startups, ajudar na maturidade desse negócio. Então, a banca faz essa análise preliminar da proposta, depois delibera e aqueles que atingem a pontuação mínima, eles são convidados a entrar no nosso programa de incubação.”

A avaliação dos projetos reúne representantes de instituições ligadas à inovação, tecnologia, formação profissional e empreendedorismo. Entre os pontos observados estão o potencial inovador da proposta, a viabilidade do negócio, a gestão e a possibilidade de captação de recursos. O coordenador do SENAI, Walter Ferreira, explicou parte dos critérios considerados na análise.
“A gente avalia o potencial de inovação, avalia o potencial de recurso, qual é a porcentagem de obter recurso a ser investido nesses projetos. A outra etapa também que nós avaliamos seria a gestão. Como é que está se pensando o modelo de questão para essas startups", explica Walter.

Depois da aprovação, os empreendedores recebem mentorias e acompanhamento técnico especializado. Conforme o estágio de desenvolvimento da proposta, a startup pode iniciar em uma fase de pré-incubação ou ingressar diretamente em uma etapa mais avançada de incubação.
Fúlvia Nassif explicou que a incubadora busca mentores conforme a necessidade de cada projeto, inclusive com profissionais de outras cidades e países.
“Nós temos mentores, inclusive na Austrália, Campinas, Franca, de qualquer parte do mundo e do Brasil, porque onde entender a demanda, nossa obrigação, nossa função, é buscar mentores qualificados para ajudar aquela startup”, comenta Fúlvia.
Com esse acompanhamento, a Impera busca fortalecer não apenas projetos individuais, mas também o ambiente de inovação de Franca e região. A iniciativa oferece suporte em áreas como finanças, marketing, tecnologia e gestão, ajudando empreendedores a organizarem melhor suas ideias e ampliarem as chances de inserção no mercado.
Para João Comparini, Franca tem um perfil criativo e empreendedor, mas muitas ideias precisam de apoio técnico para ganhar escala e se transformar em negócios consolidados:
“Franca é uma cidade muito criativa, né? Muito empreendedora. Muitos negócios surgem aqui espontaneamente e nem sempre as pessoas conseguem dar uma formatação muito profissional nesses negócios, principalmente pequenos e médios negócios, que podem se transformar em grandes negócios mais à frente".
João complementa: "por exemplo, se ela tem dificuldade com área de finanças para avaliar se o negócio dela pode ir para frente, nós temos aqui os consultores, professores da área de finanças. Mas se eu sou da área de marketing, mas não consigo desenvolver um software para o meu negócio progredir, nós temos os professores da área de TI que podem contribuir nesse negócio".

Após o amadurecimento das startups, os projetos também podem ser encaminhados para aceleradoras e investidores. A ideia é garantir continuidade ao desenvolvimento das empresas e ampliar a conexão entre empreendedores, instituições de apoio e oportunidades de investimento.
Para o SEBRAE, o fortalecimento de iniciativas voltadas à inovação também está diretamente ligado ao desenvolvimento econômico e social, especialmente em um setor que segue em expansão e demanda soluções tecnológicas e mão de obra qualificada.
“A gente enxerga que o que o SEBRAE em parceria com a Prefeitura, em parceria com a Uni-FACEF e os demais atores precisam ajudar a promover mais soluções de tecnologia, porque esse é um mercado que não para de crescer, é um mercado que não para de atrair mão-de-obra, principalmente mão-de-obra qualificada. É um mercado que as próprias empresas do setor público estão buscando contratar cada vez mais, então a gente enxerga que apoiando, fortalecendo e melhorando o ambiente para negócios inovadores, a gente também está com contribuindo com o desenvolvimento econômico e social, tanto de Franca quanto da nossa região", explica Jorge.