Munícipe apresenta dados de pesquisa e traz alerta sobre primeiros socorros
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17 de março de 2026
Na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Franca, a manhã desta terça-feira (17) foi marcada por um alerta sobre a preparação de profissionais diante de emergências de saúde em ambientes escolares.
A fisioterapeuta Daniela Marcelino utilizou o espaço durante a 7ª Sessão Ordinária para apresentar dados de uma pesquisa realizada no município, destacando a necessidade de políticas públicas permanentes de capacitação em primeiros socorros.
Com 29 anos de atuação na rede pública, especialmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e na Santa Casa de Franca, Daniela contextualizou que sua proposta nasce da prática cotidiana. Segundo ela, o estudo foi desenvolvido em uma creche da cidade, com 36 colaboradores, e avaliou a capacidade de resposta em situações críticas como engasgo e parada cardiorrespiratória.
“Essa proposta nasce não apenas de uma preocupação teórica, ela nasce de uma realidade”, afirmou.
Casos de engasgo
Os resultados revelaram pontos de atenção. Em casos de engasgo, todos os participantes reconheceram a situação, mas apenas 42% acionaram o serviço de emergência pelo 192. “Isso significa que mais da metade dos colaboradores não tomou uma das providências mais básicas e urgentes, que é chamar o socorro especializado”, destacou.
Apesar de 85% iniciarem corretamente o estímulo à tosse e 92% realizarem manobras de compressão abdominal, falhas técnicas ainda foram identificadas. Apenas 85% posicionaram corretamente as mãos e metade dos participantes retirou o objeto da boca de forma adequada. Após o atendimento, somente 64% colocaram a vítima em posição de recuperação, evidenciando insegurança até as etapas finais do cuidado.
Parada cardiorespiratória
Em relação à parada cardiorrespiratória, Daniela ressaltou que entre 70% e 80% dos casos ocorrem fora do ambiente hospitalar. Ela alertou que “cada minuto sem compressões torácicas reduz de 7% a 10% a chance de sobrevivência da vítima”.
Na pesquisa, 92% reconheceram a parada e iniciaram as compressões, mas apenas 66% executaram corretamente a relação entre compressões e ventilações (30 para 2), e somente 46% realizaram a ventilação de forma adequada. Sobre o uso do desfibrilador externo automático, 66% aplicaram corretamente, enquanto 33% demonstraram medo ou insegurança.
“No total, a pesquisa apontou uma média de 79% de acerto, mas em uma emergência não podemos nos contentar com o quase”, enfatizou.
A fisioterapeuta atribuiu as falhas à ausência de treinamento contínuo e estruturado. “O problema não é desinteresse, o problema é ausência de uma política pública permanente de capacitação”, afirmou. Ela também mencionou a chamada Lei Lucas, que prevê o treinamento de educadores, mas alertou para a necessidade de maior fiscalização e efetividade na aplicação da norma.
Daniela ainda destacou iniciativas em andamento por instituições como Uni-FACEF e Unifran na capacitação de profissionais da educação, defendendo a ampliação dessas ações por meio de parcerias. Ao final, apresentou uma cartilha elaborada com base na pesquisa, voltada à orientação dos colaboradores.
Vereadores
Após a explanação, os vereadores Gilson Pelizaro (PT) e Walker Bombeiro da Libras (PL) parabenizaram a munícipe. Pelizaro destacou a apresentação de requerimento para obter informações sobre as condições de capacitação nas unidades escolares e creches, além de citar legislações já existentes. Já Walker Bombeiro reforçou, com base em sua experiência profissional, a importância de intensificar as cobranças e ampliar a formação dos educadores.
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