Mulheres em Liderança: quebrando barreiras em Franca

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05 de março de 2026

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Durante décadas, certos cargos pareciam ter endereço certo, e quase sempre eram ocupados por homens. Liderança, poder de decisão, palavras que, por muito tempo, foram associadas ao universo masculino. Mas a história vem sendo reescrita. E em Franca, ela também tem nome e voz feminina.

As mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil em 1932. Décadas depois, passaram a ocupar espaços no judiciário, na política e nas instituições de classe. Ainda assim, o caminho até cargos de liderança foi, e continua sendo, marcado por desafios, resistência e quebra de estereótipos.

Da advocacia ao judiciário

Hoje, à frente da OAB Franca, Luiza Gouvêa representa uma mudança histórica: é a primeira mulher a ocupar o cargo na história da entidade, antes majoritariamente masculino. “Nós demoramos 93 anos para chegar aqui, né? E quando eu falo nós é porque realmente, hoje eu sou presidente, mas nós temos muitas mulheres que passaram ao longo desses 93 anos… muitas advogadas que foram diretoras da casa, vice, secretárias, diretoras adjuntas. Hoje eu sou a presidente, mas espero que muitas outras mulheres passem por aqui”, explica.

A advogada também destaca a importância da autoestima e do respeito para formar a próxima geração de mulheres líderes. “Existe um estudo que diz que meninas, já aos 5 ou 6 anos, se sentem inferiores aos meninos. Eu tento mostrar para ela que nós somos e podemos tanto quanto os homens. Autoestima feminina e respeito, respeito ao corpo, às opiniões, são fundamentais. Temos que ensinar que se respeitar exige ser respeitada.”

A presença feminina no judiciário representa mais do que números: simboliza avanço institucional e fortalecimento da representatividade. Decisões mais plurais contribuem para um sistema de justiça mais igualitário.

A juíza Julieta Maria Passeri de Souza, primeira francana a ingressar e exercer cargo no TJ de São Paulo, enfrentou resistência e preconceito ao longo da carreira. “Ingressei na magistratura de São Paulo em 1993. Hoje, apenas 35% do TJ é composto por mulheres. Ainda existe uma disparidade muito grande. Nunca tivemos uma mulher presidente nesse maior tribunal de justiça do mundo em números. É imenso”, relata.

Julieta acredita que incentivar meninas desde cedo é essencial para que ocupem espaços de destaque. “O machismo cultural ainda existe. Mas, quando se ensina que meninas podem estudar, trabalhar e sonhar, abre-se a cabeça de adolescentes para o que podem conquistar. Eu tive sorte: minha mãe era feminista e nos ensinou que deveríamos buscar nossos sonhos.”

Educação que transforma

Na Faculdade de Direito de Franca, a vice-diretora Lislene Aylon mostra como o olhar feminino transforma a educação jurídica e inspira novas gerações. “Hoje já temos muitas juízas, promotoras e ministras, mas isso é recente na história do Brasil. Como mulheres, precisamos nos provar o tempo todo. Um homem falando firme é autoridade; uma mulher falando firme pode ser vista como ríspida. Temos que equilibrar firmeza e humanidade”, discorre. 

Mesmo indiretamente, Lislene acredita que seu exemplo faz diferença para suas alunas. “Quando converso com as meninas, elas dizem: ‘Um dia quero ser igual a senhora’. Mostro que com estudo, dedicação e coragem, é possível. Minha firmeza representa para elas algo que poderão atingir um dia”, completa.

De 1932 a 2026, a luta pela igualdade avança. A história mostra que liderança feminina é resultado de competência, resiliência e determinação. Cada barreira superada abre caminho para outras mulheres.

Ser mulher hoje é assumir desafios, manter a força, a sensibilidade e o compromisso com a sociedade. Em Franca, a liderança feminina já tem nome, voz e exemplo: na advocacia, no judiciário e na educação. O futuro é de mulheres que abrem portas, inspiram outras e transformam ambientes.

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