Marília Martins aborda proteção às mulheres, Plano de Cultura e condições de trabalho dos coletores

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26 de maio de 2026

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A vereadora Marilia Martins (PSOL) utilizou a Tribuna na manhã desta terça-feira (26), durante a 17ª Sessão Ordinária realizada no Plenário da Casa de Leis francana, para abordar temas relacionados à cultura, políticas públicas de proteção às mulheres e as condições de trabalho dos profissionais da coleta de lixo em Franca.

Expoagro e incentivo à cultura

Inicialmente a parlamentar parabenizou a feira de negócios. Em seguida, em tom irônico, criticou a ausência de atrações culturais durante o evento e a falta de valorização dos artistas locais. “Teve alcance de público igual ao carnaval, que é um total de zero atrações, inclusive desvalorizando os artistas da cidade. Porque a gente não precisa de grandes artistas nacionais, temos muitos artistas na cidade”, declarou.

Marília voltou a defender a ampliação dos investimentos no setor cultural e a implantação de um Plano Municipal de Cultura. Segundo ela, o tema já começou a ser debatido junto à nova Secretaria de Cultura e Esporte.

“Há anos tenho conversado sobre isso e agora oficialmente com a nova Secretaria de Cultura e Esporte. Na última reunião dos agentes culturais foi mencionada a intenção de levar adiante uma Conferência de Cultura para que esse plano aconteça”, disse.

A parlamentar também defendeu maior espaço para artistas francanos em eventos públicos. “Que nas próximas edições da Expoagro, feiras e festividades, a gente passe a valorizar os artistas locais. Não adianta ficar gastando mais de R$ 1 milhão com luzinhas de Natal se não dá fomento para nossa cidade crescer culturalmente e incentivo ao turismo. Porque nossos artistas são valorizados lá fora”, acrescentou.

Atendimento às mulheres vítimas de violência

Ainda durante o pronunciamento, a Procuradora da Mulher da Câmara destacou os atendimentos realizados pela carreta do Circuito Integrado de Proteção às Mulheres SP Por Todas, iniciativa da Secretaria de Políticas para a Mulher do Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a Prefeitura.

A estrutura está instalada na Praça Nossa Senhora da Conceição até o dia 29, oferecendo atendimento gratuito e integrado para mulheres de Franca e de outros 22 municípios da região, entre eles Batatais, Ituverava, Orlandia, Sao Joaquim da Barra, Igarapava, Miguelopolis, Cristais Paulista e Pedregulho.

“Vai passar a semana toda fazendo atendimento de algo que a gente vem lutando há vários anos, há mais de décadas na cidade. Perdemos o prazo para ter a Casa da Mulher Paulista, em Ribeirão Corrente tem e é muito parecido com o funcionamento dessa carreta”, afirmou.

Ela também ressaltou que Franca foi escolhida para receber a primeira edição do projeto devido aos índices de violência registrados no município. “O tanto que as cidades investem no combate à violência tem seus resultados, enquanto Franca, numa crescente de violência, foi por critério técnico escolhida para ter a primeira edição dessa carreta, a primeira cidade”, pontuou.

Marília ainda destacou a importância da centralização dos atendimentos às vítimas. “Tem atendimento jurídico, psicológico, tem até uma vara especial. É esse lugar que a gente precisa na nossa cidade, para que as vítimas não fiquem sendo jogadas de um lado para o outro toda vez que precisam de ajuda para sair da violência”, disse.

Coleta de lixo e acidentes de trabalho

Outro tema tratado pela vereadora foi a situação dos trabalhadores da coleta de lixo e os acidentes registrados envolvendo equipes do setor.

“Essa semana tivemos o quinto ou sexto acidente com essa empresa. Já foram várias mortes nesse ano de 2026. Uma empresa que deve receber uma média de R$ 8 milhões por mês para fazer a limpeza da cidade. E quanto ganha uma pessoa que trabalha recolhendo lixo ou os varredores?”, questionou.

A parlamentar criticou a desvalorização dos profissionais e as condições enfrentadas diariamente pelos trabalhadores.

“Muitas vezes falam que são complicados, que estão deixando lixo pela cidade. E, de fato, estão desmotivados para ganhar R$ 1,5 mil ou R$ 2 mil — não tenho os números exatos — para passar uma noite correndo atrás do caminhão de lixo num sábado, domingo ou feriado”, afirmou.

Ela também comentou sobre o perfil de parte dos trabalhadores do setor. “A maioria das pessoas que catam o lixo normalmente são egressos. Pois bem, se são egressos, tratem com dignidade. Porque quem ganha salários homéricos, R$ 10 mil, R$ 40 mil, políticos até na Câmara dos Deputados, empresários, ficam apontando dedinhos e falando desses trabalhadores”, declarou.

Ao final, Marília fez um apelo por reflexão sobre desigualdade social e precarização do trabalho. “Esses trabalhadores deveriam ganhar R$ 10 mil, R$ 20 mil. Alguém aqui, num momento de aperto, vai procurar emprego em empresa que coleta lixo? Aposto que não vai. Essas pessoas, às vezes, são equiparadas ao lixo que carregam, são desvalorizadas, invisibilizadas e literalmente mortas”, concluiu.

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