Problemas na rede de saúde são tema da Tribuna

Márcia Ribeiro (esquerda) e Joana D'Arc Vieira discursam na Tribuna da Câmara Municipal de Franca

Queixas sobre a rede municipal de saúde, incluindo uma acusação de negligência médica, marcaram o Expediente (período da manhã) da 32ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Franca, realizada hoje, 10. A munícipe Márcia das Graças Ribeiro foi a primeira a falar. Ela utilizou a Tribuna para denunciar a morte de seu noivo, Alexandre Martins Martinez, de 57 anos, no mês passado, quando ele sofreu um infarto. Ele era cardiopata e estava na fila para receber um transplante.

Ele foi levado ao Pronto-Socorro “Álvaro Azzuz”, onde foi constatada a gravidade do caso e solicitada uma vaga na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Complexo Santa Casa. No entanto, depois de 10 horas, Martinez continuava aguardando no PS. Depois de Márcia ter ido à delegacia e falado com a imprensa, o seu noivo foi transferido para o pronto-socorro do Hospital do Coração (parte do Complexo Santa Casa), onde continuou a esperar por uma vaga na UTI. “Voltei para casa, e depois de algumas horas pediram para eu voltar ao hospital. Ao chegar lá, me falaram que ele não resistiu. Falei para os médicos que foram eles que o mataram. Ele precisava de UTI, mas faleceu no pronto-socorro”, denunciou Márcia. 

“Perdi uma pessoa que eu amo. Ele tinha sonho de viver. Podemos partir a qualquer momento, eu sei, mas por negligência não. Precisamos de um mínimo de respeito. A culpa é dos governantes, que não estão nem aí. Só espero que haja justiça. Não vou parar por aqui e espero que vocês, vereadores, me ajudem e não cruzem os braços”, finalizou a munícipe.

O presidente da Câmara Municipal, o vereador Donizete da Farmácia (PSDB), afirmou que os parlamentares estão à disposição de Márcia e que a Câmara irá acompanhar o caso. Donizete, em nome de toda a Casa de Leis, prestou sentimentos a ela.

 

Mais reclamações

Márcia não foi a única a reclamar da saúde hoje na Câmara. A enfermeira aposentada Joana D’Arc Vieira queixou-se do atendimento disponibilizado pelos hospitais públicos. “Se você reclama, é chamada de barraqueira, e se não falar nada, não é atendida. Vocês, vereadores tem o poder de mudar isso. Esses problemas vêm do governo”, suplicou Joana. Ela também solicitou uma farmácia 24 horas no “Álvaro Azzuz”, e o fornecimento de seringas de insulinas nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), para facilitar a distribuição de medicamentos e insumos aos pacientes. Donizete da Farmácia assegurou que a Câmara vai trabalhar para viabilizar as reivindicações.

A estudante de Direito da UNESP, Brenda Guímaro, criticou as condições deploráveis do CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) de Franca. O prédio apresenta avarias em seu exterior e falhas na pintura. Há falta de salas individuais de atendimento, de profissionais para realizar o teste rápido de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), de orientações, de lubrificantes e até de preservativos. “O Legislativo deveria acompanhar essas demandas”, pediu Brenda. “Espero que os vereadores sejam sensíveis e que não ocorram outros fatos [como o de Alexandre]”, completou o aposentado Nelson da Rocha Neves.

Já a munícipe Rosângela Valentino pediu que os parlamentares da Câmara fiscalizassem as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e os prontos-socorros da cidade, principalmente de madrugada. “Não está tendo humanidade com as pessoas. As pessoas estão morrendo. Os vereadores precisam se mobilizar”, pediu.

A fala dos cidadãos pode ser acompanhada na íntegra através do Youtube (https://youtu.be/0IMkEtYLIRo?t=3277) e do Facebook (https://www.facebook.com/camaradefranca/videos/2421507458134746/).

 

(Comunicação Institucional Câmara)